03 março, 2007

A PORTUGALIA




A Portugalia, estabelecida ha meia duzia de annos sómente, é a unica fábrica de lapis que existe em Portugal. Foi lançada de um só jacto que lhe fixou as proporções necessarias para o fabrico de muitos milhões d´aquelles pequeninos instrumentos tão indispensaveis às lettras, ao commercio, e á sciencia, ás artes e ás industrias, e que ainda ha bem pouco tempo eram importados do estrangeiro em grande escala.
O principal fundador da Portugalia, seu gerente e tambem seu principal proprietario, é o senhor doutor Figueiredo de Faria que a mandou edificar em terreno seu, defronte da nossa estação ferroviaria.
A Portugalia, dotada dêsde o começo com os mais aperfeiçoados machinismos, trabalhando a mais excellente materia prima, servida por technicos competentíssimos trazidos do estrangeiro, não podia deixar de corresponder à esperançada espectativa de todos aquelles que anceiavam por vêr o lapis nacionalizado, o lapis e muitos objectos de escriptorio, taes como reguas, esquadros, pota-pennas, etc.
E, de facto, se não fôsse a marca da fabrica, quem seria capaz de apartar os seus productos d´aquelles que veem de fóra, d´outros paizes ?
A Portugalia pode hoje concorrer honrosa e dignamente a todos os mercados e a quantas exposições houver no mundo.
Muitas famílias de operarios vivem do trabalho que esta fabrica lhes vem proporciponando........
Mancellos. (ILLUSTRAÇÃO VILLACONDENSE-Janeiro de 1913)

3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns por nos trazer à memória mais este belo naco do nosso
extinto património, que um dia lá
foi de abalada para S. joão da Madeira, dando lugar à Viarco.
Que bom seria se os responsáveis
pela cultura compilassem as
memórias ainda vivas desta terra.
Assim, como dizia o outro:
È A VIDA!...

José Cunha disse...

Não fazia ideia, que a Portugalia tinha dado lugar à VIARCO.
Estes comentários, podem ser tão, ou mais esclarecedores, que a própria fronte do blog.
Obrigado.

Anónimo disse...

Contou-me o meu avô por várias vezes que a dada altura haveria um encarregado tão zeloso que fazia questão ele próprio de dar a ultima mexidela na calda para fazer as minas dos lápis com a sua bengala. A certa altura terá sido dispensado mas verificou-se a partir desse momento que as minas não conseguiam ter a mesma consistência, ficavam quebradiças. Descobriu-se depois que a bengala tinha um interior falso com a substância mágica que garantia a tal consistência original. Não sei se é verdade....