06 fevereiro, 2007

O CARRO AMERICANO

(PARTE-2)

(Uma foto publicada na imprensa do Gró-Gró passando na Praça de S. João )

...Falando nos americanos , veio-me à lembrança o Gró-Gró.

Quem se lembra deste inefável monstro , a quem se chamava também o «focinho de porco»?

Pois em 1928 alguém se lembrou de transformar um dos americanos fechados num «autobus» , nem menos , para servir os utentes que se serviam do combóio e trazê-los da Estação para a praia.

Foi um alvoroço a sua aparição , pelo movimento e pelo barulho. Que barulhada infernal - cremos que a sua passagem se ouvia em toda a Vila.

Mas não durou muito a vida trepidante do Gró-Gró . Matou-o uma tragédia de que foi protagonista , que fez tremer e unir toda a população da nossa Terra , num momento de convulsões políticas gerais.

Transcrevemos uma nota de um dos nossos jornais locis de 11/9/28 : «Pelo meio-dia quando um menor de 9 anos , de nome Salvador , saía de uma mercearia à Praça de S. João , foi colhido pelo americano movido a gasolina , traçando-lhe as duas pernas . A ambulância dos bombeiros conduziu o infeliz ao hospital do Porto. O condutor foi preso até se averiguar da sua responsabilidade . Este americano anda por vezes com demasiada velocidade que o carro , linha e terreno não comportam , e nada nos admira se um desastre maior se venha a dar».

Talvez não fosse só esta facada que matou o «focinho de porco» , é possível que a sua rentabilidade fosse insuficiente para mantê-lo em circulação.

O que é facto é que este desastre abalou profundamente o nosso meio e o Gró-Gró deixou de ser motivo de galhofa. Morreu.

Mas aqui está a lembrar uma època da nossa Terra , a imaginativa nem sempre bem sucedida dos homens e um momento de viragem no nosso país , dividia em campos hostis que se enfrentavam ainda com vigor.

A nossa viragem foi o encontro e o cimentar de amizades que perduram , como aquela que nos une a tantos que não se zangarão por distinguirmos o Viriato Araújo Tomé e o Manuel Carvalho Paiva , com quem desde sempre andamos metido a lidar e a querer dar rumo significativo a coisas de Vila do Conde...E por onde andamos , deixamos pégadas , ainda que , quem as deixa , nem sempre recebe a compreensão dos seus conterrâneos , o que jamais nos afligiu , pois nem era nosso propósito nem pretendíamos colher benesses , apenas , dentro do possível , sermos úteis à nossa Terra. E porque a temos servido , sentimo-nos realizados , tal qual se pode dizer dos Americanos no seu tempo , que por terem sido úteis , são aqui lembrados.

Celso Pontes.(em SUPLEMENTO DO COMÉRCIO DE VILA DO CONDE).

1 comentário:

fernando_vilarinho disse...

Parabéns pelo Blogue. Muito bom!