Naquela tarde em que os montantes tratavam com todo o atau, furar em vários lugares o enorme rochedo que servia de base à Capela de N. S. do Socorro, para depois carregar os buracos feitos , com pólvora, fazendo-a explodir para, não só arranjar grandes pedras para a doca aqui em construção, como para afeiçoar o rochedo, tornando-o perpendicular e em forma de cubo. Os vários pescadores que residiam nas proximidades e outros mais longe, sendo os mais próximos das «ruas» ; Calçada de S. Tiago, Socorro, Prazeres, Carmo, Laranjal, Bajoca, Senra e S. Bento, e os mais distantes, Misericódia, S. Pedro, Palha etc., achavam-se sentados nos bancos construídos de «alvenaria» ligados á Capela. Ocupavam, devido á lestada que soprava, as partes de S. e de Oeste, e os que não tinham assento, estavam de pé, encostados ao muro que servia de respaldo em volta da Capela, ficando um espaço suficiete para passar quatro pessoas lado a lado - dois metros e meio. Haviam novos e velhos, e entre os Cocos, Garoupas, Brancos, Manel d´Avó e outros, e dos velhos, tio João Barriga, Mestre Lourenço Gato, Mestre Coelho, Mestre Ribeiro Pontes, Mestre Bento Loureiro, sogro do António Reis e do piloto da barra, Estêvão Soares e outros, sem serem pescadores, achavam-se os nossos conhecidos pescadores de assêjo. Fôra muito admirada a pesca dum congro de tal peso e ainda era motivo de conversaçôes.......
30 setembro, 2008
O ROCHEDO DA CAPELA DO SOCORRO
Naquela tarde em que os montantes tratavam com todo o atau, furar em vários lugares o enorme rochedo que servia de base à Capela de N. S. do Socorro, para depois carregar os buracos feitos , com pólvora, fazendo-a explodir para, não só arranjar grandes pedras para a doca aqui em construção, como para afeiçoar o rochedo, tornando-o perpendicular e em forma de cubo. Os vários pescadores que residiam nas proximidades e outros mais longe, sendo os mais próximos das «ruas» ; Calçada de S. Tiago, Socorro, Prazeres, Carmo, Laranjal, Bajoca, Senra e S. Bento, e os mais distantes, Misericódia, S. Pedro, Palha etc., achavam-se sentados nos bancos construídos de «alvenaria» ligados á Capela. Ocupavam, devido á lestada que soprava, as partes de S. e de Oeste, e os que não tinham assento, estavam de pé, encostados ao muro que servia de respaldo em volta da Capela, ficando um espaço suficiete para passar quatro pessoas lado a lado - dois metros e meio. Haviam novos e velhos, e entre os Cocos, Garoupas, Brancos, Manel d´Avó e outros, e dos velhos, tio João Barriga, Mestre Lourenço Gato, Mestre Coelho, Mestre Ribeiro Pontes, Mestre Bento Loureiro, sogro do António Reis e do piloto da barra, Estêvão Soares e outros, sem serem pescadores, achavam-se os nossos conhecidos pescadores de assêjo. Fôra muito admirada a pesca dum congro de tal peso e ainda era motivo de conversaçôes.......
29 setembro, 2008
REGRESSAR A VILA DO CONDE
Ausentei-me por uns dias, e tive pena de não ter conseguido vos avisar. Cheguei a colocar aqui um aviso, mas porque o achei "feio", retirei-o, e o computador de seguida pregou-me uma partida, não me dando nesse dia novo acesso ao blogue.
Sempre que me ausento da nossa terra, por poucos dias que sejam, sinto saudades. Sei que vou encontrar no regresso esse rio poluído do qual não gostamos, sei que muitos outros problemas ainda não foram resolvidos, mas é um prazer enorme, do alto de Azurara, avistar novamente a nossa terra.
Recordo como que se hoje fosse, o meu regresso a Vila do Conde há quarenta anos, aquando a minha comissão no Ultramar, ah!...se eu fosse poeta, que lindos momentos eu vos podia descrever.
A partir de amanhã, dia 30, voltaremos ás nossas quase conversas, acerca da nossa querida terra.
19 setembro, 2008
PONTES DA DOCA
17 setembro, 2008
DOIS ÓLEOS DE RÉGIO


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...Régio confessa que sentiu os mesmos apelos que seu irmão porque os mesmos pinceis, as mesmas tintas e as mesmas telas em branco lhe foram dados.
...Quem seria esta jovem pintada com tanto interesse e ternura pela mão inexperiente de Régio? Que laços os uniriam, que parentesco haveria, que vínculos existiriam para que ele lançasse a mão a um pincel e tentasse reproduzir as feições da jovem que naquele momento o tinham inspirado?
...O curioso é serem estes dois quadros os únicos que se conhecem pintados a óleo por Régio. Que estranho desejo foi o seu de pegar num pincel e em tintas e pintar dois quadros sem nunca mais repetir a tentativa? Que apelo emotivo teria sido para pintar o mesmo rosro em dois quadros que nunca mais tiveram seguimento? O que o teria feito debruçar-se tão demoradamente sobre duas telas e fazer figurar nelas a mesma pessoa? Tudo são perguntas que se podem e devem fazer, sem nos preocuparmos em esclarecer o que não está esclarecido. Os porquês, enquanto a verdade não for alcançada, serão uma perseguição que nos deixa insatisfeitos. Gostavamos de saber quem foi a retratada de Régio. O porquê da sua oferta. As razões que o levaram a pintar dois quadros e nunca mais voltar a pintar. O que o motivou a pintar o parzinho sentado num banco. O porquê daqueles olhos azuis quando tudo indica que a oferta foi feita a quem tinha uns olhos castanhos. A infinidade de perguntas levava-nos, possívelmente, a uma confusão mais intricada e perturbadora. E não vale a pena. O tempo passou, quem era já não existe e não passa de uma recordação que cada vez mais se dilui. Tal como os retradados. Há-de chegar um dia em que essas recordações deixarão de ser olhadas com a ternura que hoje por elas se tem, para daqui a umas dezenas de anos serem olhadas com indiferença e depois deixadas numa sala de arrumos antes de serem consideradas uns tropeços que estão a ocupar um espaço útil. É pena que se tenha de olhar friamente para o que hoje nos podemos comover. A vida é assim. Lancemos pois um olhar para esses quadros que as mãos incipientes de Régio pintaram com o amor dos seus treze anos e a paixão do artista que inflectiu o seu talento para uma outra área que lhe deu uma grande nomeada e o ilustrou. Se a nossa curiosidade não fica satisfeita, o nosso juízo fica mais valorizado, o que é muito importante.
Joaquim Pacheco Neves.
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NOTA - Hoje comemora-se o centésimo sétimo aniversário do nascimento de JOSÉ RÉGIO.
15 setembro, 2008
CLAUSTRO E FONTE MONUMENTAL DO CONVENTO DE SANTA CLARA

Postal panorâmico de generosas dimensões (22.5 x 16 cm ) da colecção PORTUGAL MARAVILHOSO.
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E assim, em 1714, chega a água ao Convento.
No mesmo B. Cultural, pode ler-se :
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Caiu água, pela primeira vez, na grande taça do Chafariz do claustro do Convento de Santa Clara.
Por tal facto, fez a Madre Abadessa uma grande festa, que havia prometido, a Santo António, sob cujo padroado tinha iniciado a obra quase 10 anos antes, em 19 de Dezembro de 1705. E ainda «ofereceu uma Ceia á comunidade, que constou de solhas, peixes fritos, ruivos cosidos, papas de leite, um pelício de confeitos e provavelmente água da fonte»...
dada a austeridade que regia aquela Ordem, temos de concordar que não foi mau...
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Nota-Penso que a Grande taça a que o texto se refere, será a que vemos na foto.
12 setembro, 2008
CONSTRUÇÃO DO AQUEDUTO

10 setembro, 2008
CURIOSIDADES
08 setembro, 2008
ARTES E LETRAS


Desde recuados tempos que Vila do Conde mostra-se como uma atração dos pintores e dos desenhadores tanto nacionais como estrangeiros. Porque a sua luz é mais luminosa, porque os seus encantos são mais atraentes, porque os motivos que sobre ela chamam a atenção são mais delicados, os artistas que por cá passam armam os seus cavaletes junto dos recantos menos procurados, sobre as colinas mais salientes ou os interiores mais resguardados, e passam horas ou dias maravilhados a captar e a reproduzir os lugares que os encantam. .....................
.........................Mas são os da nova geração que mais se debruçam sobre a terra para lhes buscar os encantos e deles dar testemunho, mas nenhum como Evaria o faz. .................
.........................Vila do Conde já deve a Evaria Hoenderop um sinal de amizade e gratidão. A persistência que pôs para descobrir os lugares mais atraentes e belos da cidade, tem de chamar para eles a nossa atenção porque, se não nos maravilham, deixam-nos agradados. E isso tem o seu mérito e merece o nosso reconhecimento. Algum se lhe tem mostrado mas não tanto que seja concludente. Porque razão não se publicaran ainda uma séie de desenhos seus sobre Vila do Conde? Quando é essa artista, que melhor conhece a terra para onde veio morar do que muitos vilacondenses, é apreciada pelo seu valor? Será festejada algum dia? Deixo aqui a pergunta embora saiba qual seja a resposta.
JOAQUIM PACHECO NEVES.
Excerto do publicado no Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde,