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Outro conjunto de belos painéis de azulejos, bem no centro de Vila do Conde. Como sabem, encontram-se na Praça de S.João, da qual tenho algumas fotos que retratam as diversas épocas, ou seja, as várias transformações por ela sofridas, mas procuro um texto adequado , e que "case" com as fotos, para aqui as divulgar.

(Fotografia tirada por Bernardino em 1937)



... Em relação à data da fundação do convento, a única certeza é da sua existência em 1518. Mais tarde veio a sofrer uma série de intervenções, nomeadamente o acrescento de novas celas. Em1834, também não escapou à fúria do "mata frades" e foi para hasta pública, tendo sido adquirido por um particular. O edifício do convento tem sofrido algumas modificações, incluindo uma torre, (a Torre do Monteiro) proveniente de uma casa de Vila do Conde, da mesma família. Mais tarde, a torre sofreu um acréscimo com semelhanças com a Torre Eiffel, que passou a ser uma referência para a navegação na costa. Há quem diga que tenha sido um guia, mas há também quem defenda que tenha sido causa de alguns encalhamentos. Certo é que o acrescento acabou por ser demolido.
Mais uma foto tirada por Bernardino Gonçalves Martins, avô de Paulo, (que fez o favor de me enviar esta relíquia) no ano de 1937. Já aqui nos referimos a este vilacondense, de Touguinhó, e que emigrou para o Brasil no começo do século XX.
O rio Ave, quem trata bem dele é o Dr. Luís Costa Maia, no seu livro Pelo Ave. O nosso rio Ave era tão bonito, tão puro, que até se via a areia no fundo. Eu nunca aprendi a nadar (nunca fui peixinho de nadar...), mas lembro-me de rapazes do meu tempo que nadavam bem, e a gente, quando havia as marés vivas (a maré vinha muito acima), e a gente olhava, via a areia! Era a pureza do rio Ave ... E hoje é aquilo que nós sabemos: o rio Ave está cheio de impurezas. É a poluição ...
Eu lembro-me ainda dos navios á vela virem, pela nossa barra, rio acima, descarregar o bacalhau para as secas, as seiras de figos para as mercearias, o sal de Aveiro, e a cal para os fornos de Bagunte e de Macieira. Ainda me lembro disso... A descarga, a profundidade, o calado do nosso rio, permitia que esses barcos entrassem aqui.
Ah! Mas ainda sobre o rio ... A minha mãe falava que o rio Ave subia para a Rua 5 de Outubro (também lhe chamavam Rua Dom Luís), era um canal que entrava pelo sítio onde hoje é a Praça da República. E que naquele canal chegavam a aparecer lampreias ... E os pescadores do alto de Santo Amaro vinham ali pescar peixes!
FONTE- AS MEMÓRIAS DE ARTUR DO BONFIM.