Velho postal, e julgo que raro. Esta composição fotográfica, já é minha conhecida, mas não recordo onde a vi.
Tirei esta fotografia em casa do senhor José Vila Cova, e num apontamento ao lado indicava que se tratava da inauguração da Casa dos Pescadores em 1/5/1944. Mas lendo o livro - Nova História de Vila do Conde - do senhor Dr. A. Carmo Reis, lá indica que em 1944 foi a inauguração do Bairro Piscatório, bem como, a criação da Paróquia das Caxinas. Estaremos a ver alguma festividade da dupla inauguração, Bairro e Casa dos Pescadores ?
Na berma da antiga Doca, os moirões não são capricho de pedreiro. Colunas breves como estas, guardaram o Pelourinho que, durante séculos, esteve junto ao rio. E são marcos como estes que, pela margem direita, correram ao longo do cais. Olhamos para eles e ficamos a pensar no significado que transportam, desde as origens ( certamente ancestrais ). Poderão ser talvez ( e apenas ) imitações em pedra, de canhões caídos em desuso, após a decadência desse tipo de artilharia ( já a partir do séc XVII ), coisa de moda que pegou por essa Europa fora. Mas caberá sempre esta pergunta : não serão a lembrança que remonta, por dez milénios, ao culto fálico dos tempos do Paleolítico Superior ?
No enfiamento do Posto da Guarda Fiscal ( que já não existe ) com o penedo do Guilhão, este farol sinalizava a entrada da barra, pelo Norte, na enseada das Caxinas. É o que resta dos velhos tempos de pesca da sardinha e da faneca, em que o Porto de Abrigo era o varadouro bom e prestimoso para muitas embarcações que a ele se acolhiam. Logo vem à lembrança da gente o trabalho das mulheres afoitas na apanha do sargaço, e a chiadeira dos carros dos lavradores, puxados a junta de bois, que iam buscar o pilado para adubar os campos.