
A fotografia de cima é espectacular. Reparem na incidência da luz, e quem gosta de fotografia, sabe que nada disto acontece por acaso.
A fotografia de cima é espectacular. Reparem na incidência da luz, e quem gosta de fotografia, sabe que nada disto acontece por acaso.
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Esta primeira fotografia, a de cima, leva-me, penso eu, ( olhando para as vestes das senhoras e para a primeira protecção sobre o rio ) , para os anos vinte. É antiga, pensamos nós, e que dizer desta segunda ?
( A PRIMEIRA FOTOGRAFIA DO MUNDO ) - Por volta de 1826.
Emblema do Rancho do Monte em renda de bilros. Sobre um desenho de JOSÉ CEREJA, a antiga componente e exímia rendilheira MARIA DO CARMO FERREIRA DA SILVA levou um mês a executar esta belíssima peça que ofertou ao seu Rancho e que prova, além do talento da autora, o seu grande amor pelo Monte.
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Rancho do Monte em 1924, ano em que se estreou a Maria Bica.
Maria Bica, como todos a conhecem e ela quer que lhe chamem, a mais antiga de uma família que deu várias gerações de componentes ao Monte. Maria Bica vai dançar este ano no rancho mais antigo que foi possível reconstituir. Mas vamos deixá-la recordar a sua longa vida - a Maria Bica nasceu em 1906 e entrou no Rancho em 1924, com 18 anos ...
- É verdade. Mas tinha eu uns 12 anos lembro-me bem de o Monte ir à praia num carro de bois. Aconteceu que no Largo dos Artistas, - claro que tinha de ser lá - o eixo quebrou e vários de nós tivemos ferimentos ligeiros. Veio acalmar-nos o Dr. António Maria Pereira Júnior que à noite nos convidou para jantar e aí nós cantamos :
Ai, ai, vinho fino e um bom jantar
E nada de desanimar...
Pelas vossas más olhadas
O nosso carro quebrou
Mas o nosso rancho é forte
Que nunca desanimou...
Casei com 22 anos e muito chorei por ter de deixar o Rancho. O meu homem foi sempre o meu par no Rancho e foi-o também na vida. Quando saí, ele continuou a dançar com a minha irmã e eu ia vê-lo aos ensaios com os filhos que nos iam nascendo. Um deles, o Zé que também vai dançar este ano - andou muitos anos pelo Rancho, foi componente e ensaiador. Como vê, os Bicas e o Monte nunca se desligaram. O meu homem, como disse, dançou muitos anos e depois ficou a tocar violão até ao ano em que morreu...
Nessa fotografia ( a que eu assinalei com um círculo vermelho ) eu sou a segunda a contar da esquerda na fila de cima. É a fotografia do Rancho no ano em que comecei, 1924 ... Quando vejo a Sede que temos agora, eu digo que esta foi a maior alegria que eu tive na minha vida. Agradeço a todos e sobretudo ao Carlos Pontes de quem eu gosto como se fosse meu filho ... e penso também no Dr. Antonio José Sousa Pereira que , no dia de lançamento da primeira pedra, me disse:
« - Maria, ainda havemos de dançar aqui na nova Sede. »
Eu dancei no mesmo ano que ele dançou. O par dele era a mãe do Carlos. Recordo-me de ele ter vindo de Coimbra para ensaiar ...
FONTE - Livro o " MONTE " .
OBS : Este livro, bem como outros, mais jornais e diversos postais, foram-me oferecidos pelo senhor Carlos Pontes (Filho).