12 abril, 2010

A PESCA DO BACALHAU.


Mais um belo texto, colhido por MARIA TERESA DE M. LINO NETTO, junto das nossas gentes das Caxinas :
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Quase todos os pescadores da Cachina e da Bajoca partem , no mês de Abril ou Maio, para a pesca do bacalhau.
O meu informador, o « t´i Juquim Cantrão », apesar de ter só 35 anos, já fizera « binte e seis biages », como ele dizia. Dou-lhe a palavra:
- « Nós aqui, andemos no bàcàlhéu, andemos por lá uns seis meses. É uma bida muito tristi; si um home adoece, ´stá mar do estâmado ou le dói a cábeça, num há quem le bot´á mão; ´stá p´àli como um càtchorrinho.
Àgora há uns tàntos anos p´rá cá o Gobérno já arremediou carquer coisa; mánda p´ra lá um bapor-hospitali que é o Julianás ( Cil Eanes ).
Nós bámos dàqui im Maio e Abril p´ra Gronilândia e p´r´òs grándes Báncos da Terra Nóbà e bortamos cándo calha, cándo temos a càrregàção feita. Bamos nós, os pertugueses, frànceses, bérgicos e àmàricános, màs àgora p´r´ómor da guerra, eles num bõu. A compánha bàreia consánte o nabio; no « D. Denis » fomos càrenta e óito homes.
Cándo num há peixe decemos im terra e bàmos pàsseari òs ninhos de pásseros, de àraus, gaibotas e patos. Encontámos por lá umàs gentes que são os esquimósos. Há-os lá de toda a raça: uns piquenos, oitros grándes más têm na cara sobre lo largo, num têm barbas nem vigode e os pés é como uma colher.
Arremedam òs tchineses e num se diferença se é nóbo ou belho, home ou mulher. O Sinhor num càstigui, màs, à compàrar com a raça pertuguesa, à nossa é muito mais bonita. O fàlàr é como um bitcho a ladrar. É sàrráno, é terrible.
Traze umas caurças de péis di urso. Bêm ter connocco e pede-nos de comer cum gestos. Come co´à genti e ainda le dámos o que sobeja para lubare p´r´às crienças. Eles num ándunó (Não andam ao ) bàcàlhéu, andum á caça de uma espécie de coélhos que há por lá e que àqui umas coisas (apontou para a volta da boca) e que eles tchamu nàs focas. Traze nàs peles dessa focas e dentes de baleiá p´rà trocar por màntiga, tàbáco e vuvidas, como binho do Porto, conhaca, àguardente e oitras. É uma gente muito simpres... , bem dormir nos nossos belitches ... È uma gentinha muito simpres ».

11 abril, 2010

GENTE DA MINHA TERRA.

Ti Glória lembra que, outrora, havia outros serviços.
" PENA NÃO HAVER MAIS GENTE "
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- Vive na Rua dos Prazeres, no coração do centro histórico de Vila do Conde, há 53 anos. Enquanto vai cosendo as redes de pesca do "barquinho" do filho, aos 78 anos Glória Serrão ( a Ti Glória como é conhecida ), vai desfiando o rosário de memórias; lembra os tempos em que em frente era o tribunal no Convento do Carmo (hoje, serve a Autarquia), mais ao lado (agora esquadra da PSP), era o quartel dos bombeiros.
" Fazia-se compras na mercearia do Altino dos Jornais" - Não havia mais nada, lembra. E havia muitas crianças a brincarem na rua. Ela começou, aos 12 anos, a vender peixe às portas " a dez tostões a dúzia ".
Hoje, são menos os serviços importantes e há menos crianças. Cada casa, outrora " com oito e dez filhos ", tem uma ou duas pessoas. Idosas. Filhos e netos, tais como os de Glória, deixaram a zona. Apesar do esforço da Autarquia, que " arranjou ruas e edifícios históricos (transformados em serviços e museus) ", muitas casas restam em mãos de privados, que, ora as deixam abandonadas, ora pedem "balúrdios" para vender.
Na "doquinha", para pena de Glória, a velhinha ponte de pedra foi substituída por uma de traça moderna e são hoje menos os barcos.
Há 50 anos, o cais era um corrupio. Agora, a nau museu faz jus às tradições navais e no cais há um moderno edifício de apoio à pesca quase pronto a inaugurar. " Ficou bonito. Só é pena não haver mais gente aqui", remata.
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ANA TROCADO MARQUES.
FONTE - Jornal de Notícias - Março - 2010.

02 abril, 2010

A CURVA DO CASTELO.

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É também uma linda fotografia. Mostra-nos ainda em construção o "Bar do Fluvial", e que mais tarde seria o restaurante da Dona Arminda.
Vê-se também, como era a última curva que o rio Ave tinha que vencer para chegar ao mar.
Realmente estas fotografias de Carlos Adriano, são no todo, um documento único de Vila do Conde ao longo de todo o séc XX. Esperemos que um dia alguém se debruce num estudo sobre toda esta documentação, e que vá muito além desta brincadeira que temos vindo aqui a fazer no "Carioca".
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NOTA- DURANTE A PRÓXIMA SEMANA, NÃO VOU APARECER POR AQUI. Vou ter saudades da vossa companhia, mas de vez em quando, sabe bem parar um pouco.
UMA FELIZ PÁSCOA.
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01 abril, 2010

O VAZIO

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O ter publicado ontem aquela fotografia aérea, era a "deixa" para hoje vos mostrar esta.
Reparem que da zona da Avenida Júlio Graça, que acabaria a sul do "ténis", e não sei se a capela de S. Tiago ainda existiria, até ao Castelo há todo um vazio, que, como sabem, antigamente se chamava a "Cova da Andorinha", que se prolongava até para os lados das Caxinas, e só mais tarde começou a ser "rasgada" por artérias, sendo a primeira a Bento de Freitas.
É realmente uma maravilha de fotografia.
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31 março, 2010

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Tão poucos anos se passaram desde que esta fotografia foi tirada, e vejam as diferenças com a actualidade.
Todo aquele enorme espaço a sul da Avenida do Ferrol, agora está todo ocupado por edifícios. Ainda se podia passar de carro junto ao mar para norte do Castelo (coisa da qual eu tenho muita saudade - pois sou preguiçoso - ).
Mas o tempo passa, e é preciso renovar, e claro, se possível para melhor.
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29 março, 2010

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Esta foto, é certamente ANTERIOR A 1930, pois ainda vemos as ruínas de Santa Clara. Vemos também que aparece um prédio a poente da Escola da Meia-Laranja,(o que não acontecia na foto anterior) e o espaço onde hoje está o monumento á Rendilheira, parece inacabado.
Dá-me um particular gozo, quando consigo aproximar duas fotos no espaço temporal, pois assim, brincando, vemos Vila do Conde a crescer ao longo de todo o século XX.
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26 março, 2010

DIA DE VILA DO CONDE

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Pela altura em que é tirada esta fotografia, VILA DO CONDE MOSTRAVA-SE AO SÉCULO XX.
Mas, mil anos antes, já dela há referências, e tal mais nos responsabiliza pela forma como a tratamos. Olhando a foto, dá vontade de comentar isto ou aquilo, mas desta vez, só me apetece olhá-la!
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25 março, 2010

RECORDAR

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Esta fotografia, deverá ser dos princípios dos anos setenta. Infelizmente não sei vos dizer o nome da totalidade dos jogadores, embora reconheça a cara de quase todos.
Claro que reconheço de imediato o meu amigo de infância Ferraz, o Barros, e o "Pirica", e perdoem-me os entendidos destas coisas, mas julgo que este último, era o mais "falado", certamente por ser o melhor entre os demais.
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24 março, 2010

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL.
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FÁBRICA «RIO - AVE» - TECELAGEM.
cliché de Joaquim Adriano.
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Só muito recentemente, é que começamos a nos preocupar com a protecção deste património, o que é pena, pois quantas preciosidades não se terão perdido já? Mas, como diz o ditado - MAIS VALE TARDE, QUE NUNCA - .

23 março, 2010

Primeiro Congresso sobre o PATRIMÓNIO INDUSTRIAL.

no CENTRO DE MEMÓRIA DE VILA DO CONDE, 14, 15 e 16 de Maio de 2010.

Pode visitar o sítio - patrimonioindustrial.blogs.sapo.pt

22 março, 2010


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ONDE ESTÁ O CARLOS ADRIANO?
Infelizmente, penso reconhecer só mais cinco pessoas, mas esperarei pelos vossos comentários, para ficar mais informado.
Penso que um deles, levantará algumas dúvidas, mas "conversando", haveremos de descobrir a verdadeira identidade.
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19 março, 2010

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AINDA NAS IMEDIAÇÕES, do edifício dos Socorros a Náufragos.
O senhor Artur do Bonfim, tem andado adoentado, e por isso, não posso lhe perguntar quem seriam estas pessoas. Deverá esta foto mostrar uma ocasião especial (será a inauguração do edifício?), pois o senhor fardado deverá ser o capitão do porto (será o capitão Lanhoso?), e os outros, todos engravatados, pertencerão certamente a uma comitiva oficial.
Espero que algum de vós nos esclareça.
Não restam dúvidas, temos de começar a dar mais atenção ao que os mais velhos nos podem dizer, porque, devagar, vamos perder muita informação, que é, sem dúvida, também parte da história de Vila do Conde.
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18 março, 2010

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Aqui, nesta também fotografia de Carlos Adriano, vemos o edifício dos Socorros a Náufragos, já concluído.
Vemos também, penso, o início das obras para a construção do molhe, tal como hoje o conhecemos, entrando mar adentro, e tendo ao fundo o farol.
Já li algures, que o paredão da Senhora da Guia, foi construído em 1855, e penso ter sido quando a velha capelinha, começou a ter protecção de todo este aglomerado de rochas e muros que a circundam, pois sabemos ( e já aqui vimos fotografias) que antes a capela estava desprotegida, e quando o mar estava mais bravo, ela ficava isolada.
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17 março, 2010

SOCORROS A NÁUFRAGOS


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Nesta fotografia de Carlos Adriano, vemos a construção do edifício dos SOCORROS A NÁUFRAGOS.
Sei que em 1930, foi criado o Instituto dos Socorros a Náufragos, mas não sei se coincide com a construção desta casa. Estava também ainda em construção, como se pode ver ampliando a foto, toda a parede murada que acompanha o rio na sua margem direita ao longo das últimas centenas de metros.
Há uma foto que eu gostaria de ver aqui publicada, mas infelizmente não a tenho, que é a do barco " Salva-Vidas ". Se alguém tiver ...
Na verdade julgo possuir uma, mas o barco está tão afastado da objectiva, que não tem qualquer interesse a mostrar.
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