12 março, 2010

( clique na imagem para a ver aumentada )
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ONDE SERÁ ..... que o Carlos Adriano tirou esta fotografia ?
Já olhei para ela imensas vezes, mas não consigo descobrir. Servi-me de uma lupa inclusivamente, mas mesmo assim não vejo nenhuma referência, que me faça sequer desconfiar.
Tentem descobrir.
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10 março, 2010

CASAMENTO E MORTE.
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Vou contar-vos o que a MARIA TERESA, no seu livro sobre o qual me tenho debruçado, nos relata sobre o casamento e morte nas Cachinas. Foi aqui que ela com persistência e atenção, estudou a vida, os costumes e a linguagem do pescador de Vila do Conde .
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Do isolamento a que se condenam resulta que os casamentos apenas se realizam entre gente da classe. E como? Oiçamos a tia Beatriz:
- « No sáb´do p´la menhão confessei-me e árrecebi o Sinhor; ispois fomos ó cebile. No oitro dia fomos á Misse às 10 horas e nessa hora nos càsêmos. Lebemos um grande acumpànhamento: à prôua bai a noiba, cum catchiné bránco; logo atrás bai o noibo c´o pádrinho e três ràpázes sorteiros e a seguir o acumpànhamento.
À borta (volta) da Igreja já bem o noibo co´a noiba. Faz-se ó depois à boda di doce que bôu cumprar à doçaria, e binho. Oitros dõu boda de galos e cárnêros e outros de cruongo, raia cum çabolas e prementão... È cònforme ás posses. E, se o noibo é pod´roso, pag´àmitade das despesas. Os pais num n´os dã dote; os meus num me deru tàmanho de nada ».
Quando morre alguém, é costume - o que aliás é vulgar entre o nosso povo - fazerem grandes prantos. As mulheres, quer velhas quer novas, vão todas de«roupa» para a cova, isto é, vestidas de santas. Vai uma , de Senhora de Fátima ou do Carmo, outra de Santa Filomena. outra de Santa Teresinha, conforme a sua devoção ou da família.
O defunto vai sempre de caixão e « si é probe tira-se um peditoro ». Só os homens costumam acompanhar o enterro.
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NOTA - Julgo que esta linguagem que a MARIA TERESA ouviu pelos anos quarenta, na nossa Caxina, já hoje não se ouve, apesar de eu ainda me lembrar de muitos destes "sons"(fonética). Relatei-vos esta minha leitura, pois creio que os mais novos nunca terão ouvido nada do género, mas , também é documental.

09 março, 2010

CURIOSIDADES.

ECLIPSE DO SOL - em 17 de Abril de 1912.
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Os ares que vão escurecendo, arrefecem; procuram seus ninhos as aves; aparecem estrelas no firmamento; a sombra projecta-se caprichosamente recortada ...
Tal foi o eclipse do Sol, semelhante em seus efeitos a uma breve noite de um suavíssimo luar, misterioso, encantador.
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NOTA - Excerto do publicado na ILUSTRAÇÃO VILACONDENSE . n 26.
(Actualizei a ortografia).

08 março, 2010

A PESCADEIRA.

Porque hoje é o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, nada melhor do que vos falar das nossas mulheres das Cachinas.
Continuando na leitura do livro de MARIA TERESA, assim, nos fala delas:
A PESCADEIRA nunca está ociosa. A toda a lida da casa e da administração financeira do casal, junta ela a confecção das redes com o linho que ela mesmo preparou. E, com perícia e agilidade incríveis, passa a agulha pelo muro, e vai dando com ela as múltiplas voltas que hão-de formar a malha.
O pescador, só em casos raros se ocupa deste trabalho ( ver fotografia ). Se não vai para o mar, prefere ficar ocioso. A pescadeira, essa, nunca está ociosa. E assim, sentada à porta da rua, a cantar, a conversar, ou mesmo a ralhar, vai dedilhando sem fim, até lhe saírem dessas mãos as peças de 30, 40, e até 100 metros.
Falta agora encascá-las. Para esse fim põe água e casca de salgueiro a ferver dentro de uma caldeira. Passadas umas dez horas, escoa a água para um pio, onde mete as redes durante uma noite inteira.
Logo de manhã estende-as nas fieiras a enxugar; aos homens compete depois meter-lhes a cortiçada e o chumbeiro.
As vela fazem-no de pano cru, muito forte. Para evitar que as pulgas do mar as deteriorem, pintam-nas com uma mistura de pós vermelhos ou verdes, ou azarcão, sal e água salgada. Do pó empregado provém , pois, a multiplicidade de cores garridas, que tanta graça dão às velas dos barquinhos.
Em Vila Chã empregam as cores vivas, na Cachina usam o preto.

05 março, 2010

«GUIDÕES»





A primeira fotografia, pertence a um postal editado pela "Mercearia Central" de João da Costa Torres, e a segunda é um lindíssimo óleo de António Maia «GUIDÕES» , tirada também de um postal, mas este, edição do "Círculo Católico de Operários de Vila do Conde".

Achei curiosa a semelhança do tema, e até parece que o artista se inspirou no primeiro postal, não fosse a diferença nos mastros do barco, e aqui talvez ele se tenha lembrado do "TENTADOR" , e fez esta alteração. Coisas de artista, mas não haja dúvidas...é lindo!

03 março, 2010

O " DKW " do Sr. PRIOR.


Perguntava o "Cereja", num seu comentário de 24/2/2010 :
" Lembram-se do DKW , que o Padre Porfírio Alves tinha? "
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Pois bem, aqui o mostro, e sei que decorria o Verão de 1948 e eu estava dentro dele, embora ainda não tivesse nascido, pois isso aconteceria meses mais tarde.
As pessoas que podem ver (eu estou bem escondido), são :
Ao volante do belo carro, meu pai, e ao lado o Sr. Prior, e no banco de trás, minha mãe e meu avô.
Obviamente, para mim, é uma belíssima fotografia.
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01 março, 2010


(clique na imagem para a ver aumentada).
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Ilustres vilacondenses, assistindo à passagem do CORTEJO DE OFERENDAS , em 28-11-1960.
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NOTÍCIA


VILA DO CONDE RECUPERA TRADIÇÃO ANTIGA.




"Circuito de Vila do Conde Revival" é o nome da iniciativa que vai fazer regressar os automóveis à foz do Ave, numa organização do Clube Racing e da Câmara Municipal de Vila do Conde, onde será reconstruido o antigo circuito citadino para levar dezenas de pilotos e carros de competição, para uma demonstração aberta ao público, que, nos anos 60, 70 e 80 do século passado, acorria aos milhares.
Os motores de exemplares de Fórmula Ford, Sport Protótipos GT, Turismos Clássicos e até de um Formula 1 vão voltar a ouvir-se num circuito que será decorado com motivos dos anos 70, onde não faltarão os tradicionais fardos de palha, e onde o público poderá passear, livremente, pelo paddock e apreciar os bólides.
"Queremos fazer uma tarde de nostalgia e fantasia, recuperando algumas das máquinas que correram neste antigo circuito", disse Rui Sanhudo, da organização do evento, no dia em que a prova foi apresentada.
Uma vez que o traçado já não dispõe das condições técnicas para que se organizem corridas com cariz competitivo, Rui Sanhudo garantiu que os carros irão desfilar "a uma velocidade moderada, mas não em ritmo de passeio".
No que diz respeito a pilotos convidados, estão confirmados nomes como Ni Amorim, Pedro Petiz, Tiago Petiz, Carlos Gaspar ou António Herédia. Destaque ainda para a presença de um antigo Ferrari, que no passado chegou a correr nesta mesma pista e está agora avaliado em um milhão de dólares.
"Nunca em Vila do Conde houve uma exposição de arte ou joias que tenha tido uma peça deste valor", notou Rui Sanhudo, frisando ainda um momento de homenagem ao piloto Luís Fernandes, que perdeu a vida num acidente neste circuito.
O evento será ainda marcado por uma exposição de fotografias e por uma exibição de carros históricos, apenas com a participação de veículos que tenham estado, no passado, nas corridas de Vila do Conde. O antigo piloto Carlos Gaspar será o 'padrinho' do evento, uma vez que em 1973, a bordo de um Lola T292, estabeleceu o recorde do circuito, ainda hoje imbatível, com o tempo de 1.00,082 minutos.
Data: Sexta-Feira, 26 Fevereiro de 2010 - 21:32

26 fevereiro, 2010

O ALAR DO BARCO
EM VILA CHÃ ( com a tranca ).
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Os rapazitos, sempre na brincadeira, mal descobrem ao longe o barco da sua companha, correm a avisar as mulheres, que o vêm esperar ao areal.
Praia acima, estendem os « paus de barar », lançam à proa um cabo, ( Em Vila Chã, o cabo é substituído por uma tranca que levanta a proa - observa-se melhor na foto de baixo-.
Começa então o típico e afanoso trabalho do alar do barco: os homens e mocetões espadaúdos empurram-no com o corpo; mulheres, crianças e até velhos puxam o cabo, e todo o esforço é rítmicamente acompanhado pelo brado forte e compassado de « Ála... ála... ál´árriba! »
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Nota - Mais um excerto do livro da MARIA TERESA, e mostro as duas fotos para vos dizer que a de cima fotografei-a do próprio livro, é pequena e de má qualidade, mas , na de baixo vemos melhor os pormenores.
Muitos de nós têm em casa esta última fotografia, que é uma das muitas que o Eduardo Adriano nos vendia, e assim, ficamos a saber o que representa, e a data aproximada em que ela foi obtida pelo Carlos Adriano, pois o livro é de 1949.


24 fevereiro, 2010

UMA RENDILHEIRA.
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Uma rendilheira descendo a velha Calçada de S. Francisco.
O "Cereja" , já aqui, num comentário, nos tinha "falado" desta fotografia, e fez o favor de me a enviar.
Penso que esta não tenho, mas há um postal, ou fotografia, em que só mostra esta mesma rendilheira, e linda mulher, não se vendo as pessoas que estão do lado direito.
Numa postagem anterior, falei-vos que conhecia desde criança o Sr. Albino, que trabalhava na antiga carpintaria anexa ao Café Bompastor.
Mas enganei-me, pois o senhor não se chamava Albino, mas sim, Álvaro Morais, e a minha confusão deriva de eu lhe chamar" Albinho ", nome pelo qual era carinhosamente apelidado em minha casa.
Por esses anos, também existia um outro senhor chamado de Francelino, que era manco, e que, tal como o senhor Álvaro, fazia os piques para as rendilheiras.
É curioso, e de anotar, que estas pessoas tinham que ter conhecimento da arte de fazer rendas, pois o risco (desenho), teria que ser calculado em função do número de bilros que trabalhariam em determinada parte do desenho.
Sem dúvida, uma belíssima arte esta, mas eu, pessoalmente, julgo-a pouco acarinhada por nós, vilacondenses.

22 fevereiro, 2010

BATEIRA. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Já aqui falamos das bateiras, ... mas continuando a leitura do livro da MARIA TERESA, a determinada altura pode ler-se o seguinte:
Os pescadores da Bajoca usam também, embora raramente, uns barcos um pouco semelhantes aos de Aveiro: são as bateiras. Os de Mindelo são extremamente leves. É que, na maré baixa, a costa muito pedregosa obriga os pescadores a levarem o barco a peso pelo mar dentro. Aqui as embarcações não são pintadas, faltando-lhes portanto a graça das cores, do nome, das marcas e dos desenhos.
Em Vila Chã usam só catraias e uns barcos com uns bicos muito salientes; dão-lhes o nome de miranços. Estes miranços - assim me informou o pescador com quem falei - só se usam de Mindelo para o sul.
Em Mindelo e Vila Chã usam-se os remos muito mais compridos.
O barco tem várias partes: a proa, é a parte anterior, que se opõe à popa ou ré. A popa e proa estão ligadas, na parte inferior da embarcação, por uma peça forte e recurvada de madeira, à qual se fixam as peças curvas, onde se pregam as tábuas do costado: é a quilha.
A extremidade da quilha, que pode ser mais ou menos saliente, tem o nome de capelo ou bico.
No interior encontram-se os bancos, as cavernas, a cadeira e as panas.
Os remos , em número de 2 ou 4 , giram em volta das chamas (toletes), enfiados nas chamaceiras.
O remo compõe-se de cano, tacos e pá.

19 fevereiro, 2010

REDE / RENDA. ===================================================
A indústria das rendas tem já longos anos de existência; atesta-o uma provisão do tempo de D. Sebastião.
E, porque marítimos são todos os seus mais antigos motivos: - a concha, a lapa, a estrela marinha. o peixe, o búzio - parece ser delicada evolução da indústria das redes.
Não há mulher de Vila do Conde que, ao menos nas horas vagas, não faça a sua renda, cantando descuidada. Trabalha geralmente á porta da rua, sentada no chão, com a almofada num cestinho, e isto dá a Vila do Conde um aspecto característico e deveras interessante.
Não é raro encontrarem-se pequenitas de 4 e 5 anos a manejarem febrilmente os seus bilros; e, dos deditos enxovalhados, saem rendas primorosas de asseio e de beleza.
Esta indústria tem-se desenvolvido grandemente, não só devido á guerra que tem feito rarear as rendas estrangeiras no nosso mercado, mas também, e sobretudo, devido á fundação de escolas dirigidas e sustentadas pelo estado.
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Nota- Excerto do publicado no livro de que vos tenho falado.
Coloquei em destaque, a vermelho, algumas linhas, porque a isso é que eu pretendia dar relevo.


18 fevereiro, 2010

JOSÉ RÉGIO
MUITO ACTUAL.
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"Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos do povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem de seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o " sacrifício "de trinta contos-só!-por seu ofício
Receber, a bem dele...e da Nação."
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Tão actual em 1969, como hoje.
Depois dizem que a tradição não é o que era!
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JOAQUIM GALVÃO-( em "METRO" ).

17 fevereiro, 2010

O PESCADOR.===================================================
A vida do pescador, cheia de poesia e encanto, é ao mesmo tempo dura e angustiosa.
É que o mar, ora o embala carinhosamente nas suas águas ondulantes e, qual pelicano, lhe abre com generosidade as riquezas do seu seio, ora se revolta em vagalhões medonhos e tenta - quantas vezes o conseguindo! - engolir nas suas profundezas infinitas o ser minúsculo que ousa desvendar os seus segredos e enriquecer-se com os seus tesouros.
É, pois, neste convívio amigo e calmo, ou nesta luta renhida entre a fraqueza e a força, a pequenez e a imensidade, que vão passando os dias e as noites do homem do mar. Daí o carácter melancólico e sonhador, tímido e ousado ao mesmo tempo, a alma simples e bondosa, de fé enternecedora, que encontramos no pescador.
Quantas vezes o topamos na praia ou junto à capelinha, a contemplar o Oceano com um olhar profundo, através do qual perpassam, ora as agruras tristes do passado, ora as esperanças e os receios do futuro!
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NOTA - Texto e imagem do livro - A LINGUAGEM DOS PESCADORES E LAVRADORES DO CONCELHO DE VILA DO CONDE -.

12 fevereiro, 2010

- A GRAVETA -
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No último post, e no texto de MARIA TERESA DE M. LINO NETO, vimos que ela fez referência á "graveta", e prosseguindo a leitura do livro, ela escreve mais adiante:
As cachineiras espalham o sargaço ao sol, com o auxílio de uma graveta.
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NOTA - A autora do livro, diz a determinada altura, que escolheu como informadores principais para a escrita deste livro, a « ti Oliba da Bartalina » e o « ti Juquim Cantrão », verdadeiros tipos cachineiros: ela alegre, viva e desempoeirada; ele, triste, de poucas palavras, mas bondoso. Um e outro analfabetos, não ultrapassando os trinta e oito anos.
Na próxima postagem, continuarei a " ler-vos " este livro, o que irá acontecer dentro de três a quatro dias, e entretanto, tenham um bom Carnaval.