VILLA DO CONDE - Linha geral do Caes.
Cliché do P.e.João Rouzaud Fontes.
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Cresceu ao ritmo da expansão marítima e decaiu largamente com ela, tendo tido o seu apogeu no Século XVI, altura em que era a quarta povoação mais importante a norte do Douro, logo a seguir ao Porto, Guimarães e Viana, e antes de Braga, Vila Real, Bragança e Famalicão.
Foi também, proporcionalmente ao seu tamanho, o maior centro português de religiosos da «Família Franciscana» - os mais ligados ao início da expansão - (franciscanos, capuchos e clarissas), que ali tiveram três conventos, um dos quais (Santa Clara) é talvez o seu mais grandioso monumento em Portugal.
Até a terrível paramiloidose (a chamada doença dos pézinhos), que se difundiu pelo mundo levada pelos navegadores portugueses, teve na região de Vila do Conde uma das principais zonas de origem.
Terra de tradiçôes fidalgas, as origens das suas casas nobres estão ligadas ao comércio marítimo, descendem de navegadores, capitães e armadores de navios e algumas têm ainda pequenos torreões característicos de onde os seus senhores observavam a chegada dos barcos.
Já no Século XIX, foi num navio chamado «Rio Ave» que o célebre sertanejo Silva Porto, um dos últimos vultos daquilo a que ainda se poderia chamar a expansão, deixou Portugal aos 12 anos a caminho dos trópicos.
Entretanto, tendo sido durante mil anos ( já no Século X era uma povoação de gente do mar ) porto de tantos embarques, Vila do Conde recusou ser palco do mais famoso desembarque da história do país, o dos « 7.500 bravos do Mindelo » que, por isso, se viram obrigados a descer em terra uns quilómetros mais a sul.
Além disso, Vila do Conde esteve durante séculos cercada de matas ( « entre pinhais, rio e mar » , escreveu Régio, que era filho da terra ) de árvores não sangradas e por isso boas para a construção naval.
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Em o COMÉRCIO DO PORTO - 1990.