A procissão de Cinza, que de ha muito gosa de renome justo, trouxe este anno como, já dissemos, á nossa terra uma affluencia consideravel de forasteiros, constituindo para o commercio local uma optima fonte de receita.
Nem sempre esse commercio tem comprehendido a utilidade de promover e sustentar essas e outras festividades, ainda ha custa de alguns sacrificios que seriam largamente reproductivos de excellentes compensações; e bem pelo contrario, um certo, indesculpavel retrahimento se tem por sua banda affirmado, com prejuiso sensivel doos seus proprios interesses.
A procissão de Cinza deveria realizar-se todos os annos, e ao commercio local e á Companhia do Caminho de Ferro do Porto á Póvoa e Famalicão cabia principalmente o dever de supprir, com um pouco da receita que colhe, a insufficiencia de recursos com que lucta a Ordem Terceira.
A procissão de Cinza merece ser vista, e para que nada perca da sua imponencia, necessario e justo se torna que, os que tem a seu cargo o arranjo de andores, a exemplo do que ainda esta anno fez, por si e com o adjutorio, que sollicitou, de pessoas das suas relações, a ex,ma snr D.Thereza de Freitas Faria, digna proprietaria do conceituado Hotel Central, no lindo andor de Santa Angela.
Isso contribuiria para manter, na justa altura da sua imponencia, um dos mais conhecidos e magestosos prestitos religiosos do norte do paiz, como é sem duvida a nossa procissão de Cinza...
Março de 1910 (ILLUSTRAÇÃO VILLACONDENSE)









