07 janeiro, 2007

PELOURINHO

O PELOURINHO MANUELINO.
O pelourinho que existe em Vila do Conde foi construído após a outorga da Carta de Foral, pelo rei D. Manuel, a este município, em 10 de Setembro de 1516.
Marco da jurisdição municipal, Herculano vê nele o símbolo da liberdade burguesa. O pelourinho vilacondense que conhecemos não foi um instrumento de tortura ou de execuções, mas sim um local de divulgação das decisões e posturas camarárias. É da tradição, localizar na Praça Velha, junto à primeira casa da Câmara, uma picota, que por ordem de D. JoãoIII, foi transferida para a Praça Nova, em 1538. Nessa altura, já havia diligências para a construção, neste mesmo local, do novo edifício dos Paços do Concelho. No ano seguinte, o povo enfurecido, durante a noite, destrói o pelourinho, pois não via razão para a sua existência, uma vez que aos municípios tinha sido retirada a jurisdição criminal.
No entanto, nos anos 80 do século XVI, novo pelourinho se ergue, desta vez junto ao rio, mais concretamente, na Praça da Ribeira, expressando agora a autonomia municipal. A coluna enconta-se actualmente na Praça Vasco da Gama para onde foi trasladado no início deste século.
O pelourinho de Vila do Conde é um monumento de singular beleza. De um plinto oitavado, servido por uma escada de quatro degraus numa das faces, parte um fuste em que quatro toros de granito se entrelaçam, unidos a meio por um anel em forma de corda. No capitel está esculpido o brasão real e por cima aparece a gaiola artísticamente trabalhada.
Rematando o conjunto surje de uma vara metálica uma mão empunhando uma espada. Os ângulos do embasamento têm gravadas datas ligadas à sua história.
Dr. MARTA MIRANDA.
em (VILA DO CONDE-CIDADES E VILAS DE PORTUGAL)

05 janeiro, 2007

RENDILHEIRAS

Pobres rendilheiras!...Realmente o trabalho d`um entremeio qualquer,na almofada,por mais simples que seja,a crescer,a olhos vistos,sob a dança macabra d´algumas dúzias de bilros,impellidos,da direita para a esquerda, e da esquerda para a direita ,pelos deditos esbranquiçados e magros d´uma creança,é o que ha de mais extaordinario e assombroso na ordem da fabricação de coisas futeis!
Quem já viu,uma vez que fosse,concorda connosco,quem nunca viu não faz ideia,e deve envergonhar-se de não ter presenceado a tarefa mais subtil e delicada,mais mimosa e suave que é dado a mãos femininas executar salvo-com o devido respeito pelas nossas leitoras-essa tarefa igualmente mimosa e suave,que o bom Deus omnipotente confiou tambem das suas bentas mãos côr de rosa -a de nos acariciarem quando nos amam............

Illustraçâo Villacondense.
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CASTELO


CASTELLO DE S.JOÃO BAPTISTA

Este monumento da arte militar antiga,é uma construção do princípio do séc XVII,ordenada por D.Theodosio II, 7" Duque de Bragança,e senhor de Villa do Conde. O Castello foi construido entre os annos de 1602 e 1614,para guarda e defensão de Villa do Conde,junto á barra e beira-mar da mesma villa.
No recenseamento da população ordenado por D.João III,aos 17 de Julho de 1527 lê-se "QUE VILLA DO CONDE NEM HE CERQUADA NEM TEM HUM CASTELLO".

em VILLA D0 CONDE E SEU ALFOZ.
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03 janeiro, 2007

Aterragem de Emergência

Esta aterragem forçada de um P-39 Airacobra,da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) acontece,provávelmente,entre finais de 1942 e princípios de 1943.O avião imobiliza-se entre a recta do castelo e a praia,em zona de areia. Ao fundo,pode ver-se a silhueta de Santa Clara.
Embora os Estados Unidos ainda não tivessem entrado formalmente na II Grande Guerra,algumas esquadrilhas aéreas da USAF foram enviadas para o Norte de África,onde assistiam as tropas inglesas que,então, aí combatiam os exércitos da Alemanha.
Inicialmente colocados em bases no Sul de Inglaterra,os P-39 faziam depois a viagem ao longo da Biscaya e das costas da Galiza e de Portugal, até aterrarem algures em África,já no limite de reserva de combustível,isto apesar dos aviões estarem equipados com tanques suplementares.
Estes aparelhos tinham vários problemas,consequência do facto de terem sido projectados de forma a que o motor fosse colocado na traseira do avião,por detrás do cockpit.Este conceito permitia a instalação de um canhão na frente do aparelho,o qual disparava através do cone do eixo da hélice,e não através dos intervalos das pás desta mesma hélice,como se usava então.
Os motores não podiam ser sobrealimentados por compressores,devido á insuficiência de fluxo aerodinâmico e,assim, a potência disponível era claramente insuficiente ,se comparada com os Spitfire,Hurricane ou Stukas,o que tornava estes aviões bastante vulneráveis e só passíveis de utilização em missões de ataque ao solo e apoio a tropas terrestres.Por outro lado,a ventilação insuficiente causava sérios problemas de aquecimento de motor,que levavam frequentemente á sua destruição.
Assim,era normal que em cada viagem Inglaterra/Norte de África um número elevado de Cobras (10 a 15 %) ficasse pelo caminho,com avarias,e aterrasse de emergência nas praias da península.Acontecia,então,que o estatuto de neutralidade de Portugal nos permitia "internar" todo e qualquer equipamento militar dos beligerantes que,por qualquer razão,entrasse em território nacional.Assim,a Força Aérea Portuguesa tomou posse de dezanove destes aviões e formou a esquadrilha OK,que viria a ser comandada pelo Tenente Austen Godman Solano de Almeida,mais tarde Comandante da TAP,sob cujas ordens tive a honra e o prazer de trabalhar durante cerca de dois anos.
No entanto,como os aparelhos não traziam consigo os respectivos manuais de instruções e "check lists" ,a sua operação era improvisada e causou vários acidentes,tendo a esquadrilha sido extinta em 1950 .
A maioria dos pilotos detestava este avião e é fácil entender porquê.A colocação do motor na traseira fazia com que o veio da hélice passasse entre as pernas do piloto,causando toda a espécie de problemas ,incluindo vibrações e ruído ensurdecedor.Por outro lado,os gases resultantes dos disparos do canhão eram projectados directamente no cockpit,tornando o ambiente irrespirável.
Não se conhece o destino do piloto do avião que aterrou de emergência em Vila do Conde.Sabe-se que sobreviveu e que fumava cigarros portugueses,provávelmente oferecidos por alguma das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente.Muito embora o estatuto de neutralidade também obrigasse ao "internamento" dos pilotos,sabe-se que estes abandonavam clandestinamente o País,com a complacência das autoridades portuguesas.
O P-39 era fabricado pela Bell Aircraft Co e equipado com um motor Allison de 1325 cv,tendo como armamento quatro metralhadoras Colt-Browning de 30" ,nas asas, e duas metralhadoras de 50" no nariz,junto do já referido canhão,um M-4 de 37 mm.
(Fotografia original de José Cunha,pai.O filho só nasceria muito depois )
José Guedes

02 janeiro, 2007

MEMÓRIAS


Antigo jardim da Av.Júlio Graça.
(em 1917)

01 janeiro, 2007

PONTE METALLICA DO AVE


Ponte moderna,pois foi aberta ao transito público em 26 de Setembro de 1893,tendo sido construída na direcção da estrada nova do Porto a Viana do Castello.
Durante séculos fez-se a travessia do Ave em UMA BARCA DE PASSAGEM,pertença do Mosteiro de Santa Clara,que d´ella auferia um rendimento consideràvel.
A barca do lado de Villa do Conde partia do Caes das Lavandeiras, e abicava em Azurara na entrada da supprimida ponte de madeira,cortando asssim o rio oblíquamente.

"VILLA DO CONDE E SEU ALFOZ".

JCunha.
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EDITORIAL

...Esses castellos,templos e palacios,que consubstanciam em si toda a architectura medieval e moderna do nosso paiz,são uma chronica immensa,onde a historia se lê melhor do que nos escriptos dos historiadores;porquanto n´essa massa enorme de pedras accumuladas os homens poderão,diz-se, interpretar a vida das sociedades, que as reuniram,a sua maneira de pensar,de crêr e de sentir,e tudo isto com verdade,porque,nos seus livros de pedra,os architectos não conheceram a arte de mentir ás gerações futuras.

Mons.J.Augusto Ferreira, "Villa do Conde e seu Alfoz" 1923

Por tal,a todas as imagens que forem aqui colocadas,lhes chamarei de"frames",para que possamos ver o "quase filme",talvez dos últimos cem anos.
JCunha.

29 dezembro, 2006

MEMÓRIAS


Os pilares que sustentam a arcaria trabalhada em forma de círculo, são bem modestos prismas de base rectangular sobrepostos naqueles que demandam maiores alturas,feitas de muitas pedras aparelhadas a grosso pico,e os arcos,esses estão picados um pouco mais por miúdo.E defronte da igreja da Lapa,já quási fora da vila,que o aqueduto atinge o seu máximo de elevação,que deve ali orçar uns 15m de boa medida......................................assim se relatava esta maravilha,que chegou aos nossos dias.
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28 dezembro, 2006

MEMÓRIAS




Posted by PicasaVista parcial de Vila do Conde,no século XIX,ainda com a antiga ponte de madeira.

26 dezembro, 2006

25 dezembro, 2006

lusco-fusco

Imagens de Vila do Conde

Caras

O menino Carlos Adriano (fotógrafo) e rendilheiras da Praça.



















18 dezembro, 2006

Arqueologia

"O teu avião é um dos Fokker T.III W (Nº26), adquiridos pela AN (Aviação Naval) na Holanda em 1924, hidroavião similar ao que Sacadura Cabral perdeu a vida, no voo ferry para Portugal, no Mar do Norte.Foram adquiridos 5 e a AN matriculou-os de 25 a 28, todavia o que se perdeu no Mar do Norte nunca recebeu matricula.O que seria o nº 25, foi o primeiro recebido, veio pilotado por Sacadura Cabral, tendo descolado de Amesterdão no dia 30 de Agosto de 1924 e aterrou na Amadora no mesmo dia.Este foi o primeiro e único que veio equipado com trem de rodas, para posteriormente operar na AN, com flutuadores.


O da tua foto, o nº 26, fazia parte do lote de três descolados da Holanda com flutuadores, dos quais só dois chegaram a Lisboa, o outro perdeu-se no Mar do Norte com Sacadura aos comandos.Saíram da Holanda em 15 de Novembro de 1925.O último fornecido veio por via marítima e chegou a 28 de Dezembro de 1925.O nº 26 foi retirado do serviço nos finais de 1926, após ter sofrido um grave acidente numa amaragem no Tejo, nesse mesmo ano.


Daí, a tua magnifica foto foi quase seguramente obtida no ano de 1925 ou nos primeiros meses de 1926.O nº 25 foi usado em 20 de Abril de 1926 numa tentativa de ligação Lisboa - Funchal - Ponta Delgada - Lisboa.Quando já se encontravam perto do Funchal, condições de má visibilidade e sobreaquecimento do motor, levaram os tripulantes a amararem no Atlântico. Foram encontrados por um barco de pesca a 13 Km do Funchal.Depois de reparado e resolvidos vários problemas burocráticos, partiram do Funchal a 9 de Maio com destino aos Açores.Já neste arquipélago o motor veio a falhar de novo e amararam em Santa Maria.Depois de reparada a avaria, voaram para S. Miguel, onde amararam em Vila Franca, para finalmente chegarem a Ponta Delgada no dia seguinte.


A Armada não autorizou o voo de regresso, tendo o hidro sido desmontado e regressado a Lisboa de barco.Este Fokker foi o único que recebeu um nome de baptismo - Infante de Sagres. "

José Vilhena


Para quem se interesse pela História da Aviação Portuguesa,sugiro uma visita ao site Voa Portugal,onde o José Vilhena e outros têm produzido um notável trabalho de recolha documental e fotográfica . http://www.voaportugal.org/



A cena passa-se em 1930,por ocasião das festas do Carmo.O avião era pilotado pelo 1º Tenente Reboredo e era uma das atracções incluída no programa de festas.Fica assim completa a investigação e corrigida a data.








O avião está identificado e datado. Mas a cena do homem a fazer "rapelle" sobre a ponte ... quem a identifica ?



12 dezembro, 2006

Sonia e Robert Delaunay

OS DELAUNAY E A POESIA
Visitei hoje “La Simultanée”, a casa de praia em Vila do Conde onde Sonia e Robert Delaunay viveram com Eduardo Vianna (1881-1967) e o americano Sam Halpert durante cerca de dois anos, de 1915 a 1917, e a partir de onde se corresponderam com poetas e pintores portugueses como José de Almada-Negreiros (1893-1970) e Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), entre outros...
A relacção dos Delaunay com a poesia sempre foi estreita. Um exemplo: em 1906, com 21 anos, Robert Delaunay (1885-1941) apresentou no Salon des Indépendants de Paris, as obras que havia pintado no verão anterior na Bretanha. Foi esse o gatilho para a amizade que veio a desenvolver com o pintor e aduaneiro Henri Rousseau (1844-1910). Embora Rousseau não tenha sido um dos pintores cuja obra maior influência veio a exercer sobre Robert - ao contrário de Cézanne, por exemplo - os dois franceses encetaram desde cedo uma duradoira e profunda amizade que só a morte de Rousseau viria a talhar, no outono de 1910.
Por essa altura, já Guillaume Appolinaire era intimo do casal Delaunay. Jorge Sousa Braga traduziu em “O Século das Nuvens” (Fenda, 1989), o epitáfio que Appolinaire escreveu como última homenagem a Henri Rousseau: